Arquivo para Janeiro, 2009

vital

Postado em Fleumático em Janeiro 31, 2009 por carol montenegro

Quem contempla observa,
o tempo, o céu,  o templo.
quem tudo sabe,
e não usa a verdade,
sente o medo do saber.
Se divide entre o real e o ilusório.
E sentindo medo não segue
paralisado pelo desconhecido,
que no fundo se percebe.
sabedoria é um bicho de sete cabeças
que  sem criatividade cria-se  o medo
de si próprio e pesa sobre o chão.

Só quem conhece a si mesmo,
pode ter a consciência do medo,
e tendo consciência não se teme.
porque não existe nada sombrio,
que cubra a visão da verdade.

Sobrevida

Postado em Melancólico em Janeiro 31, 2009 por carol montenegro

O poço é escuro e puro,
quem nele se alimenta,
sem colher a lama do fundo,
renasce no impulso forte,
que pulsa rumo ao céu.
Quem por baixo se coloca,
sempre tem Deus acima .

A tristeza é um prato cheio,
quem come  sempre sobra.
Se a sobra não se come,
se queima no  pensamento.
É a falta de fé em si mesmo,
a insegurança que falta chão.
Mas o triste que não se amarga,
torna-se manso em seu espírito.
tem aberta as portas do céu,
por amar com a tolerância,
e alimentar o amor na igualdade.

absinto

Postado em Colérico em Janeiro 31, 2009 por carol montenegro

É uma bomba relógio,
Um Tempo virado em dor.
São monstros e abismos,
figuras demoníacas e feras.
Que se enjaulam numa máscara,
tão mansa quanto o som do tic-tac.
E de repente explode em trevas,
em ira e ódio por tudo, por nada.
Tem um muro de Berlim na alma,
que se embreaga no sofrimento,
como quem bebe absinto,
e morcegos a beber sangue
num alambique que jorra dor.
E do outro lado do muro está sempre,
a outra parte de si mesmo fora da jaula.

não tem saída no labirinto
para um ego querendo ser Deus,
não existe vida, nem paz,
para quem alimenta os mortos.
Se vai do céu ao inferno,
sendo Deus e sendo vítima,
que precisa ser adorado,
para se sentir sempre maior,
porque só  inflado se sente vivo.
Para curar um ego doente,
só o sacrifício de si mesmo.
Ou o Tempo que corre nas veias,
Devora tudo como uma tsunami.


Fractal

Postado em Sanguíneo em Janeiro 31, 2009 por carol montenegro

Dói e arde,
é alho no olho.
Abandono, solidão
não ter a si mesmo,
falta tudo pelo chão.
Dói o ar e respirar
e não criar
é a dor que se cria.

vejo sentindo,
observo o sentido,
e penso comigo mesmo:
a verdade não dói na alma,
quando fere não sangra.
Se sangra é sofrimento,
e o sofrimento é um furo ,
por onde a alma foge,
o  sangue,
Que não foge mais,
coagulado na luz,
como um sol .

No mar escuro,
deitado em palavras,
escondem
por trás do muro
de medo e ilusão,
corais coloridos,
e  estrelas
que eu pesco.
Se os joelhos doem,
no movimento,
eu pergunto:
Onde está a fé?

Quarto de sol

Postado em Colérico, Fleumático, Melancólico, Sanguíneo em Janeiro 30, 2009 por carol montenegro

O rio corre nas veias
É quente nas depressões,
do medo nas correntezas,
que levam no tapete voador,
o impulso vermelho do chão
tão maleavel quanto o som.
Fluido fluxo de água ardente,
volúvel líquido Sanguíneo.

Sangue que  quando esbarra na dor,
sofre pela ilusão do que não existe,
afoga-se em lágrimas e mágoas
e solidez de palavras que dizem não,
e renascem dentro de si o Melancólico.

O que nascido das águas doloridas
não se dobra, nem se dá e  não se doa,
duro e inflexível por águas gelatinosas,
sem mais tanta flexibilidade  segue
no escuro  sem esperança nehuma,
mergulha no fundo que chama ao poço,
pelo peso da prepotência e intolerância,
criando  uma barreira de separações,
o sangue já não tanto  liquidificador
de muros e ainda cego dentro do abismo,
cresce aos olhos vistos no Colérico.

Um dia de tanto correr levando o peso,
da dor e do sofrimento  em pedregulhos
que se acumulam na alma dentro de um Ego,
chega aos quatro cantos um vento contrário,
que reflete, calcula, pacienta-se ao contemplar,
Infla-se  facilmente tornando o disparate ou o total,
numa questão de Tempo e segundos e  sim ou não,
na indecisão de um passo temeroso na dúvida,
do ser ou não ser uma gota ou Todo o rio,
e que leva a pretensão do poder ilusório,
sobrevive então na alma o Fleumático.

O Pulso do Impulso

Postado em Desfibrilador em Janeiro 29, 2009 por carol montenegro

Deitados numa maca de terra e poeira,
dormem corpos na mazela da hipocrisia.
A peste que corrói no Tempo o pulso
que bombeia nas cordas e veias e artérias
não sei quantum  de sentidos  até o céu.
Desaguam no mar vermelho do sangue,
o pulso para o impulso do Eterno.
Mas os corpos apenas fibrilam excitados,
pelo desejo de tudo que se pode ver.
Embreagados numa cegueira hemorrágica
e movem-se paralíticos pelo caminho,
invertendo a ordem real do pulso
que impulsiona tudo e faz o mundo girar.
E pelos corpos de ponta cabeça dispersa
segue o rio sem o pulso forte do coração,
Alguns sobem rio abaixo sem sentido algum,
outros descem rio acima do fluxo contínuo.
Por baixo dos lençois brancos e véus azuis
grita a verdade do amor sentido e pensado,
para desaguar no  mar vermelho da vontade.
Mas as almas  ainda fibrilam sua própria morte,
em ondas refletidas na ilusão do brilho de metais,
que dão vazão aos vazios sem razão nenhuma.
Na maca a vida se estende na palidez invertida,
imóvel, muda e cega pelos enganos da barriga,
contando o fio das horas  que lhe faltam sem um sopro
da verdade vital da Realeza sentida no fluxo infinito.

vinte e oito do Um

Postado em Coagulatio: Terra: Primavera: Lua Crescente em Janeiro 28, 2009 por carol montenegro

tops-copy “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” (Drummond)

Entrou no sapato, machucou, fez um calo, e ficou duro, de novo feito pedra.
Andei com calo doendo, sem saber por onde ir e pelo caminho pintei o sete em todas as imagens que me fizeram ver o meio do caminho.
Hoje talvez termine a minha alquimia, e agora só me resta transformar o mundo, porque eu já não me transformo mais além de  mim.
Talvez mude o blog, o nome, tudo, enfim…não sei de nada ainda.
Mas queria deixar aqui o registro das imagens que me lembram o que um dia eu fui ou por onde eu fui.  Pelo caminho do meio cheguei ao meio do caminho. Estive entre o mundo da lua e das idéias, e acabei transformada numa pedra, calcinada no Tempo, pelo pensamento, sublimada pelo amor e coagulada na fé. Já fui um orbe, o avesso do meu vértice, no invértice, e universando tornei-me as quatro estações, até o Alquimio de mim.

Quero  deixar tatuado nas palavras, como  imagens gravadas na pele, e uma em especial,  do meu amor, do meu guia, Mestre, luz, anjo, amor, Eros, Self, o Zé.

a
Meu sonho eterno amor.

Vôo

Postado em Sublimatio: Ar : Outono: Lua Nova em Janeiro 28, 2009 por carol montenegro

Que lindo era o jardim onde a menina dançava entre as flores. Mas elas continuam nos meus olhos. A menina e as flores. Quando ela quer abre as janelas e olha a luz do sol, e sem pensar duas vezes, sai correndo pelos campos, entre o colorido desse mundo em preto e branco, eu pergunto a ela: Quantas cores pode se construir com preto e branco, menina? E ela me sopra: Um arco-íris. Não existe Tempo cinza, ela sempre acha o sentido do jardim.   E  ela vôa feito borboleta. Ninguém diz a ela que cor é o céu, ela vê na cor que quiser. Mas ela gosta do azul, talvez por isso o céu seja azul. A menina não tem vontade de saber nada, é satisfeita com tudo que ela cria. A única vontade da menina é viver a felicidade que ela sente dentro de si mesma. E por isso ela sempre acha potes de ouro. A menina é feliz, e vive,  ela mesma.

vinte e sete

Postado em Solutio: Água : Inverno : Lua minguante em Janeiro 27, 2009 por carol montenegro

Pertenço-me no silêncio
do vazio incubado em mim.
Resido em muitas palavras,
as mesmas a expelir resíduos,
que mastigo nas horas que faltam.
E depois de me nutrir desse nada,
que se faz em todo meu conteúdo,
permaneço um nêutron vagando,
nos limites da minha  casa vazia.

vou

Postado em Calcinatio: Fogo : Verão : Lua Cheia em Janeiro 26, 2009 por carol montenegro

eu vou passando no céu,
como um cometa deixo rastro,
há qualquer momento posso cair,
descer para a superfície da Terra,
e deitar nos braços de quem me espera.
Aí não serei uma visão bela de luz,
que chama a atenção dos olhos de quem vê,
serei um passarinho chegando no ninho.