Viver é um mistério, tão revelado quanto a natureza.
Tão lógico que parece não ter lógica nenhuma.
E só se ver a lógica quando se entrega ao que não tem lógica.
É tudo um jogo de inversões. De duplos, duais, opostos, complementos, imagem e reflexo.
A vida oscila de um extremo ao outro, gerando o tempo e um ciclo completo significa o nascimento, a gestação de qualquer coisa. Essa é a lei de tudo que existe, é a lógica da existência, como uma equação matemática onde dois mais dois é igual a quatro. Existir é igual a viver nessa órbita. Por isso tudo passa e volta, sobe e desce, nasce e morre, para nascer de novo e novo em outra forma de vida, de existência, porque os ciclos se completam, tudo é gerado e a cada nova gestação existe um ganho de experiência, de renovação, e o que não foi melhorado volta no ponto em que parou para ser retrabalhado, esse é o destino de tudo. Esse caminho para a melhor forma, uma forma original.
Nessas voltas que a vida dá, e a medida que o tempo passa, a vida vai se transformando, e tudo vai ficando ainda mais verdadeiro e original. Porque o destino de todo o universo é ou deverá ser a igualdade, a união. E só o que é verdadeiro realmente existe, a mentira é uma ilusão. Quem mente para si ou para os outros, no final das contas, estará no lado das coisas que não existem. Ou será como uma miragem, um reflexo, pura ilusão de ótica.
Viver é um jogo de entendimento e aprendizado, porém um jogo difícil porque o que os olhos vêem, as vezes o coração não sente. E é justo nesse instante em que perdemos o fio da verdade.
Então, não existe receita, e a única coisa que se pode fazer para viver da melhor forma é buscar tudo aquilo que é verdadeiro, em nós e em todo o resto. Ao ver, ao sentir, ao saber, buscar a verdade nas percepções, como quem luta pela própria vida. O que é verdade para mim, talvez não seja para o outro, porém existirá sempre uma verdade fundamental que me une ao outro, a verdade do amor, o desejo do bem embutido nessa verdade, porque é o amor a maior fonte de verdade da existência.
Mas o amor não é reflexo, o amor não se cria por alguém, se tem amor e se dá esse amor. Amor não é paixão. Quem ama pode se apaixonar ou não. E mesmo não se apaixonando, pode amar para sempre. Porque o amor existe em todo lugar, se ama a um filho, a um irmão, se ama um pai, uma mãe, um amigo, se ama um animal de estimação, se ama o trabalho, ou qualquer coisa. E tudo que a gente ama é ligado a nós, a nossa vida, de alguma forma.