Arquivo para Agosto, 2008

Enfim, eu e o Tempo

Postado em verão em Agosto 30, 2008 por carol montenegro

Quando estou em casa,
Gosto de arrumar tudo,
Pôr cada coisa no seu lugar.
Não sei viver sem organização,
O suficiente que seja.
Algumas vezes quando ocupo
As gavetas, os armários com minhas coisas,
Sobram coisas que não sei onde colocar.
Então as deixo ali no canto esperando,
Até vir o Tempo e achar o lugar certinho.

Eu e o Tempo é como um filme do superman
basta um sinal para ele entrar em cena
voando, como um super-herói.
Quando não sei o que fazer,
ele sempre aparece e faz por mim.
É mais que isso,
é meu fiel amigo eterno amado,
que me ampara e me guarda,
como um anjo de verdade,
pois não existe verdade que o Tempo não traga,
E não existe nada que resista ao Tempo.
Eu mesmo não resisto, e por isso, casei-me com ele.

De verdade, o amor

Postado em verão em Agosto 29, 2008 por carol montenegro

O amor
É solidão,
E vazio,
que não incomoda.

É o silêncio
vagando entre sons.
Um andar sozinho,
entre a multidão.

Quando dois vazios,
Se preenchem ao ponto
De continuarem vazios,
O amor transforma-se
em calor humano,
Paixão e desejo.
A entrega compartilhada,
de energia,
puramente verdadeira.

Vôo

Postado em verão em Agosto 28, 2008 por carol montenegro

Agarrei um sonho pássaro,
Com um sentir diferente
e alucinado me fui no vôo.

Do ventre da noite materna
Vi nascer estrelas
E delas nasci também.
Como um rasante do sonho,
na luz de qualquer dia,
renasci no mundo louco,
que não me deu as tetas.

Reviro-me os olhos acordado
Engolindo todo o ar cinzento
de quedas e altos e baixos
Até cair por um sopro lento,
nas asas do sonho pássaro.
Que de leve e plana memória
de mãos grandes amareladas,
de sol e raios de luz de tempo,
ilumina a vasta noite do sonho
que de leve levou-me sem pena,
acordando tudo em mim,
Que ainda não acordei.

Pensamento

Postado em verão em Agosto 28, 2008 por carol montenegro

Não procuro idéias, espero que elas me chamem, aí então as sigo pelo caminho que elas me levarem. Não adianta uma idéia cair de pára-quedas do alto do céu e nos meus braços, só carrego as que me servem, só aparo no ar aquelas que se combinam no meu cenário visual.
Assim como também não peço que adotem minhas idéias, e as levem para casa.
Tudo é uma questão de separação de divisas para uma união espacial.
Não estranho nada diferente de mim, porque cada um tem sua própria história, seu próprio caminho.  Eu não sou uma pedra no caminho de ninguém. Mas se as pedras servem como caminho, então sigo-as.
Todos pensam igualmente diferente, e o que fica no meio, é o tempo e o espaço de cada um. Qualquer imposição de formas de pensamento é uma agressão à individualidade e o processo de crescimento, aprendizado, e evolução. Uma idéia imposta não transmite a consciência ao outro. Não é assim que se cria consciência, mas pela experiência vivenciada do pensamento. Para o outro saber o sabor da maçã, não basta uma descrição, ele precisa provar, e então julgar se é bom ou ruim. Eu adoro maçãs, mas o outro pode não gostar, e quem tem o direito de enfiar a maçã guela a baixo? Cada um com seus sabores que agradam. Cada um com seu tempo de vivenciar o sabor.
Querer convencer o outro do seu pensamento, é carregar o peso da responsabilidade sobre a vida dele, é fazer do pensamento ou uma idéia um conselho assassino, e que provavelmente, irá se desfazer em morte. Porque um pensamento imposto pesa toneladas sobre a cabeça do outro.

Amor e justiça

Postado em verão em Agosto 27, 2008 por carol montenegro

O amor é a emoção que me consome,
A justiça a razão que me constrói.
O que é Direito ditam os homens,
que nem sempre são justos,
nem sempre sabem sobre amor.
E se as leis humanas nos condenam
é a consciência que nos redime.

Ciclos

Postado em verão em Agosto 26, 2008 por carol montenegro

Sempre que morro,
a consciência se veste de deus,
E faz de céu e inferno,
minha própria condenação.
o pensamento recria
a atmosfera do novo mundo,
que imagino ser meu mérito.
Eu moro no lugar onde sou,
E tenho aquilo que me fiz.
Na terra que me crio,
A emoção permeia a razão.
e faz o solo fértil para o ser
vários unidos em um.
a consciência que reune
me sentencia o céu
a cada novo despertar.

Trajetória

Postado em inverno em Agosto 25, 2008 por carol montenegro

Não há ganho sem perda,
E no final das contas,
O destino contabiliza tudo.
O medo é um aviso prévio
para o acerto de contas.
E no trajeto de cada um,
É um sinalizador
que só dói,
quando se pára diante dele.

males do inverno

Postado em inverno em Agosto 22, 2008 por carol montenegro

Estou com a vista cansada, alguma coisa doendo e falta de ar.
Chove em mim e a água arrasta tudo, abrindo abismos na alma.
Hoje as palavras me guardarão da chuva, da profundeza sentida e fria.
Porque hoje elas me serão remédio de alivio imediato
para esse cansaço causado por esse ar de vacuidades poluídas.
Hoje as palavras me são um aerossol para os males do inverno.

A música também ajuda a expandir os pulmões…

Escuridão

Postado em inverno em Agosto 22, 2008 por carol montenegro

Alguém apagou a luz,
Amarrou o sol ao horizonte,
E ele está preso ao chão.
A noite está exausta,
De esperar o ar de sua graça.
Mas não tem graça nenhuma,
Porque alguém esqueceu de avisar,
Que não adianta choro, nem velas.
Quando alguém apaga a luz,
O desespero age calado,
Imóvel, para não ser visto.
Tem as noites sob os olhos,
feito um vigia noturno.

mertiolate

Postado em inverno em Agosto 21, 2008 por carol montenegro

Caí em mim,
De um arranhacéu,
Ralei a alma.

E o senhor me disse:
Passa tempo que sara.