Nudez
As palavras me traem!
Dou a elas tudo de mim e só peço que me guardem entre seus muros de concreto, e construam castelos para o meu coração, mas as palavras me traem. Descobrem minha alma e a deixam nua vagando.
Não, não confiarei mais nas suas armaduras.
Seus castelos de areia que se desmancham na praia e entregam meu coração numa espuma para o deleite dos deuses, que repartem meus segredos declarados em bandejas de prata e suas Ambrosias. Bebem meu sangue como se fosse seu melhor vinho.
E as palavras nada fazem. Além de me entregar despida de meus sonhos, quando elas me traem, carregam toda minha poesia.
Não lhes tenho mais amor, que me foi tirado nos muitos versos sentidos que Coloquei nas suas mãos. Mas agora nenhuma metáfora fala mais, porque minhas mãos estão vazias. Porque tudo te dei de mim, para que fizeste páginas e mais páginas, e está tudo em branco.
Não quero mais nenhuma palavra ao meu lado, recebendo-me com doces figuras, e sussurros de prazer, minha alma quer vestir algo verdadeiro que sirva ao verso, porque a nudez lhe dá calafrios, e um medo de tropeçar em si mesmo com o corpo despido, e acabar sem nenhuma explicação.
Então, que as palavras não me traiam mais, e que guardem meus rabiscos numa conversa telepática. Mas assim não serei mais eu, serei poeta.