cacocefaloscopia

Postado em um rastro em Novembro 17, 2009 por carol montenegro

Não me chama
com fogo
ardente nas  veias
a jorrar silêncio.
minha boca
calada na noite
cospe o crepúsculo
vital do beijo mortal,
cravado em ferro
de cores vividas e mortas
sobre um entrave encruzilhado
no meio do nada
entre duas bandas
no quadrilátero da alma.
De um lado ao outro
o tic-tac toca tambores
madrugando as manhãs
no pensamento e mente
sonhos e sonhos e sonos
se virão,  se verá verão
de um sol a chorar
tempos inversos.

anexo

Postado em um travesseiro em Novembro 16, 2009 por carol montenegro

Acordei assim
de repente
o silêncio gritando
pela janela
se abriu
foi só o vento
pensei alto
mas foi tão alto
que caí no sono.
Lá dentro
encontrei o eu
sonhando comigo
era tarde da noite
e já clareou
aqui fora
e eu comigo
ainda estão dormindo
dentro de mim.

metamorfose

Postado em uma árvore em Novembro 16, 2009 por carol montenegro

Não desprezo minhas tristezas
acalento cada lágrima
de uma dor recém-nascida.
Cada uma é um verso
que quando crescer
será a menina  poesia,
deixando  meus rastros .
As tristezas não doem,
é um voltar-se para dentro,
de casulo na alma
andam na ponta dos dedos
como palavras que rastejam
em metáforras, onomatopéias
e feito as lagartas
um dia voa pelo espaço
como as borboletas
e vira arte.

Cosmose

Postado em uma gota de chuva em Outubro 17, 2009 por carol montenegro

As estrelas se movem
circundando o infinito
dentro de mim.
Meteorica mente
me vou a voar
querendo me perder
no mesmo espaço
onde me encontrei
a olhar o infinito.

baile

Postado em asas de borboleta em Outubro 5, 2009 por carol montenegro

No salão verde
o sol me abraça
ensaio passos com o vento
se a natureza quer dançar
rezo para não pisar
no pé de serra.

Marco zero

Postado em um poço em Outubro 4, 2009 por carol montenegro

Minhas dores são voláteis
não deixam vestígios
nem riscos.
A cada novo despertar
uma página em branco
sem passado
que embrulha um presente
a ser dado-me  algum dia.
Quem sabe…

doido de pedra

Postado em um pé de amora em Setembro 16, 2009 por carol montenegro

Teus olhos me falam
o que tua boca me cala.
um grito escapou pela janela
e correu para o jardim
procurando as cores
pintadas pelo sol.
uma alma se soltou
num suspiro
escorregou pela língua
e dança com o vento
com os lábios dormentes.

Solo

Postado em um instante em Setembro 12, 2009 por carol montenegro

Meu mundo
cabe numa gota
ou pingo de estrela
é o vazio que me cabe
onde cabe
meu pedaço de silêncio.

Calada da noite

Postado em pés de uma coruja em Agosto 22, 2009 por carol montenegro

A noite declama
inversos
de inóspito silêncio
como uma boca
mostrando o céu.
No alto o pássaro
grita branco
como uma gota
de saliva a correr
pelos cantos.

Feliz cidade

Postado em um pássaro em Agosto 15, 2009 por carol montenegro

Felicidade é um estado
ou um país?
Em que mundo
se encontra?
Felicidade não se vende
se compra?
Não, felicidade
não se prende em palavras
se solta como pássaro
em risos ou lágrimas
em versos nunca vi.
Essa feliz cidade
Fantasma em mim.