maio 24, 2012

vultos vivos

Por tanta humanidade
se mata a  esperança
que morre nas ilusões.
De  tão pouca humanidade
se morre  a fé
até  sucumbir  o homem
em  suas faces e facetas
tornando-se alegorias
e as roupas que vestem
Muitos já foram
vestindo sombras.

maio 20, 2012

antesala

É no silêncio
onde me encontro
lambendo as feridas
e derramando sobre elas
o efeito balsâmico
de um profundo amor
sem palavras, sem sentido,
e com tanta razão
que nem o céu consegue cobrir.
É nesse silêncio que te guardo
aguardo em queima,
líquido e fluido para dentro
do meu sono sem sonhos,
do meu olhar comedido
nas horas das pedras,
em riscos e ciscos grafite.

maio 1, 2012

lanternas

O mar  cabe em conchas
que no fundo, no fundo
se guardam sonhos,
que doem ao  nascer
e  criam ondas ao morrer,
como uma ressaca
mal curada  por falta de luz.

abril 17, 2012

manto

Do cálice à ponta dos pés,
tenho escrituras
de pérolas negras,
em conchas brancas,
banhando-se em suor.
E o  nada nas veias.
Paradigmas transitam
pelo meu corpo
como células
em reprodução.
Reviso meus vistos
por uma performance
que me traga inícios.

abril 6, 2012

Babilônia

Incomoda-me o teu sono,
na verdade, me agride.
Como me deixas
falando sozinha?
Acorda por um segundo
e existe.

abril 3, 2012

ponto de cruz

Digno amor
a quem devoto
meu ar
que transformado
em árvores,
enche-me de esperança.
Que por ventura,
quimera e simetria
movimenta as flechas
entre os olhos
que em mim ferem,
até outras memórias.
Cria-me dois anjos
ensimesmados comigo,
em pulsos no meu coração,
enlaçando os dois,
no ser de gênero único.
Descobre do céu
as nuvens de chuva
que preenchem emoções,
por ângulos e cargas d´água
de fluir constante,
feito em ondas e tempo.
A penas se equilibram
universos e gotas pequenas
de mim, de um e de outro.
E nas formas diferenciadas
vivenciam-me em tom
de pele, e fala e áurea.
E assim impermaneço
indo e beirando
as notas da música,
que me toca,
no tempo do desejo
que soam e suam
dos pequenos vazios.

março 26, 2012

transgressão

Não convidei a entrar na minha casa esse cheiro de passado a limpo.  Ainda embrulhado no branco da naftalina e em teias do meu juízo. Que por sapiência do meu adorado estranho se apadrinhou dos meus sonhos. Não quero dar beleza a nenhum pensamento desvairado que por ventura atravesse meus panos brancos. E isso é coisa de pele, fina, flor, que pode refletir o mais secreto das régias vigentes cardiocármicas. É meu puro niilismo, que mergulho por teimar contra o tempo. Porque me dói amar o amor e sentir nas veias o tempo das coisas. E de todas as coisas. As coisas sem sentido, isso é uma redundância, mas gosto de sustentar a insignificância dessa palavra como se ela fosse eu, porque sou como as coisas. Pelo fato de que existem frascos sem rótulos, onde cabem só uma essência de ser humano.

março 6, 2012

O verbo

Verbo não é palavra,
é um desatino que a gente cospe
sem nem sentir,
e sem sentido não se move.
Morre sem fé.
Vive o tempo de um eco.
O verbo transforma e age
como se fosse instinto.
O verbo não se nega
não tem duas caras,
É determinante.
A palavra usa véus,
se oculta e mente,
enquanto o verbo
só torna verdade.

março 4, 2012

sense

Só posso dizer
amor
que acalente-se
num sono
tão profundo
quanto as cores
nos teus olhos
querendo tirar
o véu nos meus,
porque Deus
é o oculto
naquilo que nos faz
ser semelhante.

fevereiro 29, 2012

Niilismo

A existência é um aforismo.
Homens querendo provar
que merecem a eternidade
porque pensam. O que?

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